Inspirações de Isaac Newton - O que ele estudou

Diferente da maioria dos outros grandes gênios da humanidade, que se geralmente se dedicavam a uma área específica de conhecimento, um dos grandes diferenciais de Isaac Newton foi o fato dele ter estudado, questionado, analisado e trabalhado muito com diversas áreas.

Neste artigo de nossa Biografia de Isaac Newton, iremos mostrar as principais inspirações de Newton, o que ele estudou e absorveu. Focaremos no que ele estudou principalmente quando ainda estava na escola (King's School) e na faculdade (Trinity College, University of Cambridge), pois foi o conhecimento base que ele usou para criar suas teorias e trabalhos.

Religião, Bíblia, Deus e Isaac Newton


É comum vermos muitos religiosos citando Newton para justificar a existência de Deus.
Isso é, sem dúvidas, um dos maiores mitos e erros que se pode assumir, é quase infantil usar tal lógica e argumento para justificar suas crenças.
Vamos lá.
Sim, Isaac Newton estudou muito, muito mesmo religião. Se dedicou como poucos aos estudos da Bíblia.

Naquela época não era uma opção. Não havia religião X, religião Y, ateus, agnósticos e um mundo de outras opções como existe hoje.
Era simples e direto: acredite em Deus e na Bíblia, senão será preso e poderá morrer por isso.
Era obrigatório acreditar em Deus. Era obrigatório estudar a bíblia, tanto no colégio como na faculdade.

O erro, ingenuidade ou ignorância em citar que Newton acreditava em Deus parte daí: todos eram obrigados a acreditar, e mesmo que não acreditassem, eram obrigados a dizer que sim.
Muita gente boa naquela época perdeu a cabeça, literalmente, por dizerem o contrário.

O fato é que Newton estudou sim com afinco a bíblia, e até tentou incluir Deus e conceitos divinos em algumas de suas ideias e explicações. Mas isso foi bem no início de seus estudos.
Ao passo que ia desenvolvendo sua maturidade intelectual, ele foi separando BEM a religião da ciência.
E ao final da vida, antes de morrer, decidiu queimar e se livrar de diversas anotações e pensamentos.

Ele foi deixando de citar Deus, de usar argumentos bíblicos e foi cada vez menos se interessando por tais temas religiosos. Ao fim da vida, sua postura com a religião mudou de forma radical, mal tocando no assunto.

Será que deixou de acreditar em Deus? Será que suas concepções religiosas mudaram? Será que passou a achar que a bíblia não era tão sagrada e perfeita assim? É o que se suspeita, mas obviamente ele nunca deixou isso explícito.
Não podia, na época era proibido, era colocar a vida em risco ir contra o que a igreja mandava.
Assim, nunca teremos certeza do que se passava na cabeça de Newton em relação a Deus e a religião.

Aliás, a mudança de postura de Isaac com relação a esses assuntos religiosos foi até perceptível, e chegou a ocasionar alguns problemas ao gênio.
Veremos isso em mais detalhes em outros artigos da biografia.

Alquimia

A alquimia, na época de Isaac Newton, antes e depois, eram um assunto que atraía todos os tipos de pessoas: acadêmicos, gênios, professores, inventores, loucos, feiticeiros etc.
Era muitíssimo interessante, e havia diversos mitos que circundavam a alquimia que a deixava cada vez mais interessante.

Vários mitos se formaram em torno do estudo da alquimia, como produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal, que transformaria qualquer metal em ouro.

Certamente não levou para o lado da "magia", e sim para o lado mais analítico.
Seu interesso começou quando foi morar com boticário Clark, quando Newton foi para a escola King's School, onde começou a ter contato com remédios, soluções, plantas, ervas e tudo mais.

Isaac passou boa parte de sua vida fazendo experimentos, analisando resultados e fazendo anotações sobre seus estudos. Tentava ser o mais perfeito e 'puro' possível em suas experiências, tratando e purificando ao máximo as substâncias.
Fazia os próprios cadinhos e utensílios (lembra de sua paixão pela criação de objetos mecânicos e outras parafernálias? Pois é, foi importante aqui).

Poucos sabem mas, provavelmente, Isaac Newton se dedicou mais aos estudos da alquimia que da ciências exatas, como Matemática e Física.

Filosofia

Isaac Newton queria saber de tudo.
Como funcionava o Universo, onde estava a Terra no universo, qual a função do Sol, do que as coisas eram feitas, como foram formadas, como tudo se criou, por que a lua se movia numa trajetória específica e tudo mais que intrigava a mente da humanidade.

Todas essas questões mudaram drasticamente depois dos trabalhos feitos por Isaac, mas antes dele e de seu rigor, era tudo especulação, tudo opinião. Daí o motivo dele ter estudado tanta Filosofia.
Isaac nunca se considerou um Matemático ou Físico, e sim um Filósofo Natural, uma pessoa que vivia para estudar os mistérios da natureza.

Um filósofo famoso, que tinha ideias sobre coisas que interessavam Isaac, foi Aristóteles, que acreditava que a terra era o centro do universo e era imóvel, tendo o Sol a Lua e outros astros se movendo ao redor.
Essa ideia era particularmente muito bem vista e apoiada pela Igreja, com argumentos baseados na Bíblia, pois a ideia da terra ser o centro de tudo era bem confortante para o ego religioso.
Hoje essa ideia pode parecer boba e infantil, mas na época era muito, mas muito bem aceita.

Já Arisctarco acreditava no heliocentrismo, que baseado em observações astronômicas do movimento dos astros, dizia que o Sol que estava no centro, e a Terra e tudo mais girava ao redor.
Uma ideia que poucos acreditavam, principalmente por ferir o ego importância da terra.

Ciência - Matemática, Mecânica e Astronomia

Como vimos, ele estudou muitos assuntos, em diversas áreas.
Galileu influenciou Newton em seus estudosMas nenhum desses assuntos deu tanta certeza, trouxe tanto conforto e precisão quanto à ciência, que procurava se basear em experimentos, teorias e justificativas lógicas, e não apenas em opinião meramente jogada, ou empurrada.

Um desses cientistas que muito influenciou Newton foi galileu Galilei (que morreu no mesmo ano que Newton nasceu). Galileu foi particularmente importante para Newton pois baseava suas ideias em experiências, tentava justificar usando a lógica e a matemática.
Isso teve um profundo impacto e influencia na carreira de Newton.

Newton também estudou muito as ideias e conceitos do monge polonês Copérnico, que fundamentou as ideias do heliocentrismo, usando argumentos reais e plausíveis, chegando até a desenhar um novo modelo do sistema solar.
Outro grande cientista que também tinha muitas ligações com a filosofia, era Descartes, que teve profunda influência nos estudos de Newton sobre o movimento dos planetas.

Já as observações e dados astrológicos obtidos pelo astrônomo Tycho Brahe auxiliaram o astrônomo Johannes Kepler a criar suas teorias sobre o movimento dos planetas.
As ideias de Kepler foram de suma importância para Newton, pois ele provou que o movimento dos astros obedeciam algumas teorias e fórmulas matemáticas.

Graças a Kepler, Galileu e outros, esse ramo do conhecimento humano começavam a deixar a opinião e religião de lado, para fornecer dados mais concretos e exatos. Foi a partir daí que Newton realmente se consolidou como gênio, como veremos em breve em nossa biografia.

3 comentários:

Anônimo disse...

Um filósofo famoso, que acreditava que a terra era o centro do universo e era imóvel, tendo o Sol a Lua e outros astros se movendo ao redor.
Essa ideia era particularmente muito bem vista e apoiada pela Igreja, com argumentos baseados na Bíblia, pois a ideia da terra ser o centro de tudo era bem confortante para o ego religioso.

Obs. A Bíblia nunca apoiou a idéia acima, só nos diz que ela é um círculo e está suspensa sobre o nada.

Edson

Anônimo disse...

Olá, amigo. Parabéns pelo site.
Discordo de sua opinião sobre a religiosidade de Newton. A Igreja Católica nem exercia tanto controle assim já na época de Newton, pois sabemos que o protestantismo veio justamente pela extrema falta de controle católica. Penso que sua educação protestante no lar teve extrema influência sobre sua devoção à bíblia, sobre interpretá-la à própria maneira, mas seria muito simplista achar que Newton, como qualquer grande estudioso, estava surbordinado aos dogmas oficiais e às ameaças. Ele vivia sozinho e tinha muito tempo pra pensar e criar o que quisesse, fazer seu próprio Deus, dentro da sua cabeça.

Provavelmente resultou num panteísmo, que é a sensação de que há algo superior à razão e aos sentimentos humanos é responsável pelo todo e pelo seu funcionamento. Essa ideia é simples e não adianta o quanto se ache ateu ou agnóstico: se você diz que não tem essa sensação é porque a acha falsa (é o seu direito afirmar isso). O panteísmo é a base de qualquer religião, seja de um humilde mito indígena, de uma mitologia com diversas divindades ou de um Deus pai de todos; os dogmas são apenas formas pelas quais o indivíduo se sente conectado a tal sensação instintiva de que há uma energia superior. Qual é verdadeira é outra discussão.

Então libertar-se de um dogma não significa não acreditar em Deus. Pelo contrário, percebe-se que os menos agarrados a dogmas têm mais propensões à essa relação espontânea e pura, que não depende de imagens, que alguns chamam de espiritualidade. Já li em alguns sites que Einstein também vivia pirado com essa coisa de qual religião deveria ter. Mais uma vez, confunde-se dogma com espiritualidade.

Boas publicações,
Abraços.

allan_emerique@hotmail.com

Biografia de Isaac Newton disse...

Olá Allan, grato por sua visão e contribuição.

Pode nos mostrar a nossa opinião sobre a religiosidade dele?
Tentamos, com afinco, apenas falar e mostrar o que é sabido por meio de livros, documentos e cartas.
Podemos citar os trabalhos em que ele incluia e citava suas ideias religiosas em seus trabalhos, e quando isso começou a diminuir, e por fim se extinguir.

Sobre a Igreja Católica, para exercer certos postos acadêmicos em Cambridge (como o cargo lucasiano, hoje ocupado por Stephen Hawking), você era OBRIGADO a expor suas ideias e convicções religiosas. Claro, quando o rei era Católico.
Ocorria exatamente o mesmo se fosse Protestante, tanto que entre transições de reinados Católicos para Protestentas, e vice-versa, havia várias demissões de acadêmicos, totalmente baseadas na religião.

Veja bem, não é que a religião Católica ou Protestante influenciasse, era simplesmente imposta. Até na Royal Society você tinha que expôr suas ideias religiosas para entrar (era simples: se concordava com as ideias religiosas X do reinado, entrava, senão não entrava).

Sobre a educação protestante de Newton, certamente há um exagero aí.
A família dele era analfabeta (sua mãe assinava só o nome, e mal, como é possível ver em diversos documentos) e simplesmente não tinham contato mais aprofundado com o estudo bíblico (isso só entrou na vida de Newton quando foi pra escola) algum.

A educação religiosa dele era a normal pros camponeses da época, e não diria educação, era mais um costume. É como nos dias de hoje, a maioria das pessoas que dizem acreditar nisso ou aceitar aquilo, não o fazem porque pensaram, ou raciocinaram e chegaram a tal conclusão, mas porque desde que nasceram foram influenciadas e, indiretamente, obrigadas a acreditar em tais ideias, sejam lá quais forem.

O que li de Einstein (principalmente de sua própria biografia), foi que suas ideias religiosas eram bem explícitas desdes os 20 e poucos anos.
Teve aquelas dúvidas adolescentes, mas nunca "pirou" nisso não.

Pesquise sobre as recentes cartas de Einstein que foram descobertas, que ele trocava com um amigo íntimo, leia e tire suas próprias conclusões (ele chegava até a zombar das ideias cristãs, de um modo geral, não se apegando a religião específica).

Nunca vi nada de Einstein, que ele mesmo expôs, procurando uma verdade, uma religião ou ideia mais adequada, é como se ele simplesmente não desse bola para isso.

Einstein escreveu muito sobre o que pensava. Procure ler o que ele escreveu, se formos nos basear sobre a opinião dos outros sobre Einstein, ele vai ter a religião ou espiritualidade que você quiser, simplesmente puxam para todos os lados, soa até ridícula algumas coisas lidas.

O que temos que ter cuidado aqui é: eram pessoas famosas e influentes, o que eles expunham em público era TOTALMENTE DIFERENTE daquilo que pensavam e conversavam em privado (no caso de Einstein, com amigos) e da maneira como agiam (no caso de Newton).

Não vou dizer o que Newton pensava e meditava em suas infinitas horas de solidão, muito menos dizer que provavelmente nisso ou naquilo, pois seria mera especulação e opinião.

Mas falando em opinião novamente, gostaríamos muito de saber onde você viu nossa opinião, pois queremos tentar apenas mostrar os fatos, o que ele escreveu, sobre o que escreveu, o que expunha, quando pensava isso, quando passou a pensar aquilo, quando citava tal ideia, quando passou a deixar de citar etc etc etc.

Biografia Isaac Newton é um projeto independente.
Para ajudar o trabalho, basta curtir nossa página no Facebook e clicar no botão G+1.

Contamos com seu apoio!